Friday, May 30, 2008

Uma Quinta. Uma história.

correria correria
pega o ônibus
jabaquara
ana rosa
esfiha
flerte

caminha caminha
blen blong alto
campo amigo
beijo aperto
riso toque
abraço

dirige dirige
buzinas
stress
lugar
ares
ah!

augustear augustear
esquina bebida bar
assunto conversa
barulho pessoas
ex pedintes
ah!

thelma thelma
diversão ali
compra kid
chão bom
frio aqui
oh!

louise louise
acabou já
agora ir
cada se
casa de
dormir

oh l'amour!

Saturday, May 24, 2008

São Paulo

Adoro esta cidade
São Paulo do meu coração
Aqui nenhuma tradição
Nenhum preconceito
Antigo ou moderno

Só contam este apetite furioso esta confiança absoluta este otimismo esta audácia este trabalho este labor esta especulação que fazem construir dez casas por hora de todos os estilos ridículos grotescos belos grandes pequenos norte sul egípcio ianque cubista

Sem outra preocupação que a de seguir as estatísticas prever o futuro o conforto a utilidade a mais-valia e atrair uma grande imigração

Todos os países
Todos os povos
Gosto disso
As duas velhas casas portuguesas que sobram são faianças azuis

Blaise CENDRARS

Sunday, May 18, 2008

Avenida III

É complicado quando não temos o que expressar, o que pensar e mais ainda o que sentir. Quando não temos para onde ir, inclusive em dias chuvosos que devemos sair de casa e nos encontrar, porém queriamos passar o turno inteiro deitado morrendo mais um pouco. Mas a cidade chama, a sociedade clama por mais gente transitando de um lado para o outro. Enquanto alguns levam torrenciais gotas no rosto, outros em sua depressiva viagem de carro pela avenida olham para o nada, para a lua, para as nuvens em suas paragens. A única cor em sua retina focal é o vermelho do semáforo que insiste em estar ali e ir e vir cada vez mais ligeiro.

De repente o barulho...

Baldes de cor azul invadindo a avenida. Como uma onda de tinta azulada percorrendo as vias asfaltadas e metropolitanas de nossas artérias mecânicas. Azul Almodóvar. O céu antes escuro, agora fica claro, e tudo aquilo que era depressivo e rotineiro passa por um sorriso branco e sincero. O andar dos pedestres é de procura em meio ao lamaçal unicolor.
Ninguém entende o motivo, mas todos começam a se comunicar por outra língua. Mas por irônia de percurso todos se entendem.

E por se entenderem voltamos ao eterno ciclo deprimente de nossas vidas. Os pedestres andam sem nada mais procurar, apenas preocupados com seu caminhar e seu futuro. Os motoristas voltam os olhos para o céu implorando a chegada ao destino e vislumbram o semáforo vermelho.

A linguagem em rotina também é destruídora e devastadora como a onda azul que acometeu a avenida por alguns instantes.