Envelopes em papel de carta
Palavras doces, palavras açucaradas
Paixão transbordando sofrimento.
Distância de viver a vida sem o outro
Quilômetros de poesia
Olhares e recados marejados
Pingos nas pontas dos olhos.
Lágrimas se formam em história
[na mudança dos nomes dos amantes.
O querer é poderoso,
mas o poder não quer selos.
O tempo não passa, a história se arrasta
A chuva que cai no lado de fora faz gotejar solidão no telhado úmido.
Cadastros, registros, certidões,
Documentação
[Para entender que paixão é dor,
Paixão é sofrimento,
E a dor é opcional.
Raphael Yanes/dezembro de 2006
Monday, September 14, 2009
Friday, September 04, 2009
Impactos Amarelos
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.
Manuel Bandeira
Que importa a paisagem, o Ibirapuera, o parque, a linha de poluição no horizonte?
- O que eu vejo é o túnel do metrô.
Raphael Yanes
- O que eu vejo é o beco.
Manuel Bandeira
Que importa a paisagem, o Ibirapuera, o parque, a linha de poluição no horizonte?
- O que eu vejo é o túnel do metrô.
Raphael Yanes
Thursday, July 16, 2009
Tenho me pegado bem pensativo ultimamente, apegado a fotos e fatos, perdendo de vista o foco do futuro. Me sentindo perdido, sabecomé? É meio estranho pra mim, e ao mesmo tempo não, pois na minha vida sempre foi assim: eu vou vivendo e esperando o que vai acontecer e geralmente as coisas acontecem.
Sei lá, talvez possa ser o tom melancólico da música do momento, ou todo esse desespero de fim do mundo que está por vir, ou não sei, talvez a esperança de que as coisas estão prestes a acontecer tenha ido embora.
Assim, chegou no quarto pela manhã e disse: 'oi, beijão, tô indo!'.
A vida tem dessas né? De te mostrar que tá tudo ali na mão, e de repente como que para uma criança te tira o doce e é fria e desgostosa. O importante mesmo é olhar pra vida e dar risada, porque por mais que ela tire o doce da sua mão ainda dá pra ir ao mercado e comprar leite condensado pra fazer brigadeiro e achar graça da tal vida por ter apenas um doce na mão, e a gente uma tigela inteira!
Dá até pra sentir a invejinha que emana da vida, do mundo. Então temos dois caminhos: ou viramos as costas e comemos o pote todo do negro doce ou oferecemos um pouco pra ver se tanto a vida como nós mesmos adoçam um pouquinho!
Sei lá, talvez possa ser o tom melancólico da música do momento, ou todo esse desespero de fim do mundo que está por vir, ou não sei, talvez a esperança de que as coisas estão prestes a acontecer tenha ido embora.
Assim, chegou no quarto pela manhã e disse: 'oi, beijão, tô indo!'.
A vida tem dessas né? De te mostrar que tá tudo ali na mão, e de repente como que para uma criança te tira o doce e é fria e desgostosa. O importante mesmo é olhar pra vida e dar risada, porque por mais que ela tire o doce da sua mão ainda dá pra ir ao mercado e comprar leite condensado pra fazer brigadeiro e achar graça da tal vida por ter apenas um doce na mão, e a gente uma tigela inteira!
Dá até pra sentir a invejinha que emana da vida, do mundo. Então temos dois caminhos: ou viramos as costas e comemos o pote todo do negro doce ou oferecemos um pouco pra ver se tanto a vida como nós mesmos adoçam um pouquinho!
Tuesday, May 12, 2009
Olhando pela janela vejo uma metáfora do mundo contemporâneo. Uma das maiores cidades do mundo, com mais de vinte milhões de pessoas que nesse exato minuto estão dormindo, assistindo TV, usando computador, fazendo sexo, dirigindo, indo para mais uma noitada.
Não é a toa que São Paulo é considerada uma das capitais do mundo.
Olhando pela minha janela vejo uma metáfora da São Paulo contemporânea. É a obra do metrô logo ali, é o Instituto Tomie Ohtake mais a frente, são os restaurantes que enchem as ruas em volta, os bares, as pessoas, os cabelos pra lá e pra cá. Um slow motion de caras e atitudes gerando densidade demográfica assustadora num ponto ínfimo da cidade.
Da janela também vejo um posto de gasolina que abastece os automóveis para viagens, para o trabalho ou para a jornada rumo à próxima balada. Contudo percebo nesta mesma janela o meu reflexo. O reflexo de um ser que observa tudo isto sem ser um verdadeiro paulistano.S
ão Paulo é a maior rapadura nordestina que já vi. Doce e Dura. Calma e Insuportável. Vivemos às vezes numa lenda urbana sem fim, como se aqui onde vivemos a violência, a miséria e o descaso social não existisse. Isso até o primeiro soco no estomago em alguma esquina escura. Ou de tão cansado perder o ponto do ônibus de casa e acabar parando no final da linha do coletivo: no sentido bairro, na periferia, na favela.
Será que nos vestimos com lenços brancos umidecidos, cor-de-rosa, para não vermos situações tão alarmantes e tão transparentes?
São Paulo é tudo de bom.
Mas às vezes, é também, tudo de ruim.
Pois é, ele estava certo:
"Transaméricas de Áfricas utópicas
Tumulo do Samba,
Mais possível novo quilombo de Zumbi..."
Não é a toa que São Paulo é considerada uma das capitais do mundo.
Olhando pela minha janela vejo uma metáfora da São Paulo contemporânea. É a obra do metrô logo ali, é o Instituto Tomie Ohtake mais a frente, são os restaurantes que enchem as ruas em volta, os bares, as pessoas, os cabelos pra lá e pra cá. Um slow motion de caras e atitudes gerando densidade demográfica assustadora num ponto ínfimo da cidade.
Da janela também vejo um posto de gasolina que abastece os automóveis para viagens, para o trabalho ou para a jornada rumo à próxima balada. Contudo percebo nesta mesma janela o meu reflexo. O reflexo de um ser que observa tudo isto sem ser um verdadeiro paulistano.S
ão Paulo é a maior rapadura nordestina que já vi. Doce e Dura. Calma e Insuportável. Vivemos às vezes numa lenda urbana sem fim, como se aqui onde vivemos a violência, a miséria e o descaso social não existisse. Isso até o primeiro soco no estomago em alguma esquina escura. Ou de tão cansado perder o ponto do ônibus de casa e acabar parando no final da linha do coletivo: no sentido bairro, na periferia, na favela.
Será que nos vestimos com lenços brancos umidecidos, cor-de-rosa, para não vermos situações tão alarmantes e tão transparentes?
São Paulo é tudo de bom.
Mas às vezes, é também, tudo de ruim.
Pois é, ele estava certo:
"Transaméricas de Áfricas utópicas
Tumulo do Samba,
Mais possível novo quilombo de Zumbi..."
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