Tuesday, May 12, 2009

Olhando pela janela vejo uma metáfora do mundo contemporâneo. Uma das maiores cidades do mundo, com mais de vinte milhões de pessoas que nesse exato minuto estão dormindo, assistindo TV, usando computador, fazendo sexo, dirigindo, indo para mais uma noitada.
Não é a toa que São Paulo é considerada uma das capitais do mundo.

Olhando pela minha janela vejo uma metáfora da São Paulo contemporânea. É a obra do metrô logo ali, é o Instituto Tomie Ohtake mais a frente, são os restaurantes que enchem as ruas em volta, os bares, as pessoas, os cabelos pra lá e pra cá. Um slow motion de caras e atitudes gerando densidade demográfica assustadora num ponto ínfimo da cidade.

Da janela também vejo um posto de gasolina que abastece os automóveis para viagens, para o trabalho ou para a jornada rumo à próxima balada. Contudo percebo nesta mesma janela o meu reflexo. O reflexo de um ser que observa tudo isto sem ser um verdadeiro paulistano.S

ão Paulo é a maior rapadura nordestina que já vi. Doce e Dura. Calma e Insuportável. Vivemos às vezes numa lenda urbana sem fim, como se aqui onde vivemos a violência, a miséria e o descaso social não existisse. Isso até o primeiro soco no estomago em alguma esquina escura. Ou de tão cansado perder o ponto do ônibus de casa e acabar parando no final da linha do coletivo: no sentido bairro, na periferia, na favela.

Será que nos vestimos com lenços brancos umidecidos, cor-de-rosa, para não vermos situações tão alarmantes e tão transparentes?

São Paulo é tudo de bom.






















Mas às vezes, é também, tudo de ruim.

Pois é, ele estava certo:
"Transaméricas de Áfricas utópicas
Tumulo do Samba,
Mais possível novo quilombo de Zumbi..."