Wednesday, May 12, 2010

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É difícil começar a escrever sobre algo que foi planejado há tanto tempo. Tudo começou com uma historinha curiosa e tímida, coisa de criança.

Meu irmão ao saber que uma amiguinha da escola iria viajar à Disney, pediu para ela trazer-lhe um chapéu do personagem Pateta. Sim, aquele com o focinho e as orelhas caídas. Por alguma desventura, talvez felizmente, a menina não trouxe o tal do "boné" e meu irmão ressentido contou para minha mãe o ocorrido e ela em sua benevolência materna disse:

"- Meu filho não se preocupe, você terá o chapéu. Você vestirá o chapéu. Você se divertirá na Disney. E ainda terá uma babá."

Os fatos decorrentes a partir desse momento ficará para sempre em minha memória, pelo simples fato de eu ter me tornado a babá do meu irmão. E hoje, depois de dois ou três anos consigo entender e perceber toda essa amplitude. Babá mesmo. Daquelas que vão ter que tomar conta. Dar de comer, banho, trocar fralda etc etc etc. A magnitude desse poder todo veio à tona quando percebi que sem mim, modéstia a parte, por um lado essa viagem não aconteceria.
E não é por conta da grana, ou da preguiça ou da falta de sensibilidade com algumas coisas.

Se eu não agitasse, se eu não corresse atrás de passaporte e o tão temido visto, talvez não estaria aqui agora, com quase toda a viagem marcada. Complicado dizer isso quando se têm familiares que não entendem todo esse esforço. Mas enfim, consigo entender o outro lado, o do esforço deles de juntar todo o dinheiro necessário. Consigo enxergar todo o sacrifício feito para acontecer essa viagem em vias monetárias, físicas e psicológicas.

Hoje talvez entenda que tudo foi equilibrado. O incentivo na hora certa e a verba dificilmente obtida de um lado e do outro o meu "correr atrás" de documentações, informações, planos e pacotes. Fomos mesmo um time, mas só consigo enxergar isso agora. Portanto, devo um pedido de desculpas a todos pelo meu estresse com tudo o que concerne à questão do visto norte-americano.

Agora, com as devidas explicações e desculpas assinadas, venho aqui informar que este blog agora, terá como caminho inevitável contar todas as minhas angústias, medos, aflições, ansiedades, nervosismos, alegrias, emoções, choros e risadas que acontecerão antes e durante essa viagem. Esse espaço além de ser um direito ao grito de mundo, de ser-estar, de sentir-protagonizar, pode ser também um grito do alto de uma torre. A mais alta que houver. Porque até no mais doce Castelo e na maior queda de uma montanha-russa, há o direito ao grito!

Tuesday, January 26, 2010

Voo xxxx.
Empresa aérea Web Jet.
Horário do voo: 16h00
Origem: Brasília (BSB)
Destino: São Paulo (GRU)

Antes de entrar no avião percebi que a pintura da empresa não estava muito em dia, que tinha umas "rachaduras" no corpo do avião. Mesmo assim, indo contra toda a minha sensatez entrei no avião.

Todos embarcados. Todos esperando a autorização da torre de comando de Brasília para decolarmos sentido sudeste do Brasil.

Eu, claro, como sempre, morrendo de pânico. Mãos suando. Pernas inquietas. Olhares atentos. Percepções grandes. Tudo catalisado. Medo de tudo.

Eis que alguém no banco de trás solta:

"sabia que a webjet é considerada a empresa aérea pau-de-arara do Brasil?"

só isso.
é armadilha.