Wednesday, January 30, 2008

Na Terra do Sol...

Maceió, Alagoas...

Terra da melhor tapioca do Brasil, terra de Djavan, Collor, e Renan Calheiros.

Um dos estados mais pobres do país tem contradições: de um lado a seca, casas de taipa, crianças pedintes; queimada para o corte de cana e a baixa expectativa de vida desses trabalhadores. Do outro lado, praias exuberantes que é o paraíso dos turistas, alta gastronomia, coqueiros, vento e comodidade.

É neste lugar que tem mágica por todos os lados que me encontro atualmente.
E mais, estou no nordeste brasileiro, em época de carnaval!

Quer coisa melhor?

Mas não se precipitem: Alagoas não tem aquele carnaval que vemos na TV. Aquilo lá é em Recife com o Galo da Madrugada ou em Salvador com os Trios Elétricos.
Por aqui é tudo mais calmo, só tem aqueles blocos de rua, antigos. Inclusive já participei de um deles, 'O Bloco do Prazer.." (Êta nomezinho sugestivo)
Foi divertido... tinha Comissão de Frente, Evolução, Fantasia, e até bateria! Existia uma cobra gigante, parecida com o Boi Bumbá, conhecem? Então ela é igual, entra o povo embaixo e sai por ai "evoluindo"....
Legal pular carnaval em ruas de paralelepípedos. Pensei que nunca faria isso por que não existisse mais. Engano meu. Existe e é o máximo!
Este blocos fazem parte de um evento que acontece no bairro do Jaraguá, local boêmio de Maceió, onde encontramos os barzinhos, as baladas...

Recomendo Maceió para todos e todas.
A praia daqui, é fantástica, todo dia com céu límpido, águas verdes, e a noite, aquele rastro da lua percorrendo um bom pedaço do mar...

Monday, January 14, 2008

Explicação II


Depois do meu momento de epifânia com o texto "Cem anos de Perdão" de Clarice Lispector, resolvi criar esse blog.
Bem, então, como qualquer ser humano que tem essa vontade fui até o site provedor deste recurso na internet, e lá pediam para que eu escolhesse um domínio. Pensei , pensei, e resolvi que seria Felicidade Clandestina, afinal este era o nome do livro que inspirou a vontade de criar e mostrar idéias para um número "x" de pessoas.
Pois bem, após escolher e digitar o nome, cliquei em "Verificar Disponibilidade":: computador em processo, e 'retornando' com a seguinte resposta: "Domínio sem disponibilidade, tente outro".
-Droga!
Já estava irritado.
Mas no mesmo segundo que a irritação veio... apareceu na minha mente a frase que mais gosto da Clarice:
"Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.
Grito puro e sem pedir esmolas."
(A Hora da Estrela)
Ótimo! direitoaogrito, seria perfeito. Digitei. Computador processando. Resposta: "Domínio sem disponibilidade, tente outro."
Ah não! Exclamações começaram a sair pela boca:
- "Quem é o filho da puta que roubou a minha frase predileta?"
Fui lá.
Não podia deixar isso barato, precisava ver quem era o imbecil que havia escolhido o nome antes de mim.
Digitei.
direitoaogrito.blogspot.com
Entrei.
...
...
...
E deparei com um texto antigo meu.
Sim, o blog era meu.
Memória destoando.
Auto xingamento.
Só comigo mesmo.
É inteiramente pessoal.

O céu está caindo...

Zona Oeste de São Paulo - 14/01/2008




"Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho."


Mia Couto

Saturday, January 05, 2008

Explicação

Eram dias de sol.

Eu morava na Cidade Maravilhosa, devia ter uns 5 anos. A memória me refresca esses dias, como tantos outros. Estava na pré escola, e minha professora era a tia Luciene. Baixa, morena, dos cabelos negros compridos. Antes de sair de casa, tomava banho, e não podia colocar o uniforme, para não sujá-lo com o frango assado do almoço que aconteceria dali cinco minutos. Após a refeição, eu me vestia e passava um certo perfume verde, de tampa da mesma cor.

Eu não me lembro exatamente quem me levava sempre para a escola. Mas lembro perfeitamente desses dias de sol, que uma senhora me acompanhava até esse lugar onde existia uma caixinha de madeira com furos onde colocavamos o giz de cera.

Uma senhora dos cabelos brancos...tão brancos como a cor da neve. Devia ter seus 80 anos na época, ou quase nessa idade, mas mostrava vitalidade, rapidez em seus atos, no seu andar. Essa senhora, minha bisavó, chamava-se Maria.

Ela com seu vestido florido, levava em um dos bolsos fundos, uma pequena faca.
E quando chegava em uma certa rua do bairro de Olaria - rua esta que tinha casas e mais casas com rosas e mais rosas - pedia silêncio para mim, e delicadamente sem ninguém perceber ela pegava a tal da faquinha e cortava uma rosa do jardim de uma das casas. Era um ato de mestre, cada dia uma residência fornecia uma flor, assim ninguém perceberia a falta. As cores eram diversas, mas eu me lembro constantemente das de cor vermelha, talvez pela intensidade que é aplicada a essa tonalidade.

Ela roubava as rosas dos moradores e eu era seu cúmplice.

No caminho até a escola, ela com a rosa na mão, ia tirando com a mesma faquinha os espinhos, e depois me dava, para em seguida eu presentear a minha professora Luciene. Todos os dias em que minha bisavó Maria me levava para a escola esse ato acontecia.

E eu nunca critiquei este ato de roubo, por achar aquilo uma aventura incomensurável. Cada ida para a escola era suspense e medo de alguém nos apanhar.

Eu roubava rosas com a minha bisavó quando eu era criança.

Eu queria ter mais uma chance de dizer para a Dna Maria que eu me lembro desses dias de sol.


















P.S. - Eu estava lendo um dos contos de "Felicidade Clandestina", intitulado "Cem anos de Perdão" e em momento epifânico entendi Clarice Lispector, afinal eu roubava rosas com a minha bisavó e morava em Olaria, local onde a protagonista de A Hora da Estrela morre, atropelada por um carro.