Tuesday, April 29, 2008

A Virada Cultural


É... só agora consegui me recuperar plenamente do cansaço que me acometeu neste fim de semana e por isso estou aqui para contar um pouco sobre os acontecimentos últimos.
Tudo começou na sexta-feira, dia movimentado, trabalho no IEB, aula do Pasta até às 23h30. Já na aula, lá pelas 22h20 se ouvia o borbulhar de vozes no gramado da faculdade e um pouco depois a música dos anos 50, 60...enfim, SOM!
Acabou a aula e fui encontrar os amigos na festa "Do Elvis ao Créu" que estava organizada, com "boa" música, vazia, e com cerveja cara. A questão da cerveja eu abstraio porque eu odeio esta bebida amarga!
Enfim, fiquei na festa até às 5h da madrugada, dançando e me divertindo com o pessoal.
Cheguei em casa 5h30 e cai na cama conseguindo dormir até às 9h.

...

10h já estava trabalhando no IEB, com documento, bilhete único, chaves de casa, algum dinheiro, e óculos escuros para ir direto para a Virada Cultural.
Trabalhei até às 16h e de lá peguei um ônibus direto pro Centro.

Mas no meio do caminho, aproximadamente na Av. Paulista, percebi que estava com fome.
Ok. Tenho Bilhete Único, pensei.
A coisa mais perto/barata era o Habib's da Alameda Santos. Saindo do restaurante peguei mais um ônibus e fui parar direto no famoso cruzamento da Ipiranga com a São João. Lá estava montado o palco principal do evento. Antes de mais nada digo: agora concordo com a frase que está virando símbolo da cidade. São Paulo é tudo de bom! Segue portanto todo meu percurso pela Virada Cultural 2008.


18h - Show: Cesária Évora no Palco São João: Cantora cabo verdiana FANTÁSTICA! Ritmo quente e dançante. No meio do show percebi que existem vários cabo verdianos no Brasil!
Experiência muito, muito boa este show.

21h - Show: Gal Costa no Palco São João: Não precisa de apresentações, o show desta mulher foi fantástico, músicas como London, London; Sampa e Trem das onze estiveram presentes. O segundo melhor show da Virada com certeza!

23h - Show: Roberto Luna no Palco do Largo do Arouche: Eu estava lá apenas pra descansar no gramado. Show do estilo brega e dançante.

24h - Show: Zé Ramalho no Palco São João: Outro que não precisa de apresentações. Show intenso, político, social, PERFEITO.

01h - Show: Antonio Carlos e Jocafi no Palco do Largo do Arouche: Outro show que ouvi descansando no gramado.

03h - Show: Mutantes no Palco São João: Show INIMAGINÁVEL e FANTÁSTICO. O terceiro melhor da Virada 2008. Intenso, estranho, político e artístico!

Das 05h30 às 09h - Andei pelo Centro, joguei Truco, tomei café da manhã.

09h - Show: Canja Rock Blues no Palco Canja: Um evento com mais de 100 músicos se revezando durante às 24h de evento.

10h - Cinema: Filme - Machuca: Serviu para dormir às duas horas de filme! hahahaha

12h - Almoço com direito ao famoso Bauru do Ponto Chic

Andando pelo Largo em frente ao Ponto Chic rolou uma capoeira.
Antes de chegar até o Palco da Dança também passei pelo evento 24h de Piano na Praça.

13h - Ballet no Palco da Dança: Ballet Stagium - Ano passado assisti à apresentação deste grupo, dançando músicas do Chico Buarque. Não deu para perder esse ano. Dançaram músicas de raiz, como exemplo: Asa Branca. FANTÁSTICO!

14h - Show: Arnaldo Antunes no Palco Rock da Praça da República: Show pra descansar e pensar, com MUITO sol na cabeça. Muito bom também!

15h - Show: Orquestra Imperial no Palco São João: Show de uma banda que não conhecia. Estava tão cansado que ainda não emiti opinião sobre a apresentação.

18h - Show: Jorge Ben Jor - Apresentação animadíssima. Intensa. Suada. O melhor show da Virada com toda certeza.
"Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por naturezaaaaaaa"
INESQUECÍVEL.

Virei com a Carolina Zanata, amiga da Letras, de Virada mesmo foram 27 horas!
Foi realmente muito bom.

Agora quando eu ouvir a seguinte música com o seguinte verso tudo será diferente:

"Alguma coisa acontece no meu coração...que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João..."

Agora o coração bate mais forte ao ouvir falar nestas ruas...

Friday, April 18, 2008

Como conseguir 30 créditos?

Em dezembro pedir a júpiter que atenda suas solicitações mais tenebrosas e impossíveis...
Provavelmente você não será atendido,
Então tente novamente em um período probatório!

Friday, April 11, 2008

As loiras e o Picasso


Por Duilio Ferronato

Para a Revista da Folha de São Paulo


Nos idos da era da inflação, era difícil explicar para um estrangeiro como funcionava nossa economia. Eles nunca entendiam como os preços podiam mudar todos os dias. Dava até certo constrangimento falar nesse assunto.


Agora ficou complicado explicar para um estrangeiro ou para qualquer pessoa sensata que o presidente do MASP é o mesmo arquiteto que projetou o templo da Daslu. Não é tarefa fácil. Começar por onde?


Qualquer um teria dificuldade de entender como uma pessoa que ainda acredita na arquitetura neoclássica pode cuidar de um museu de arte porque são coisas que não combinam. Mas, por incrível que pareça, isso aconteceu. E com resultado ruim para os dois lados.


Primeiro, dá até vergonha de passar na porta do prédio do templo, que ficou a coisa mais cafona e medonha desta cidade. Se um dia eu encontrar o prefeito, vou sugerir que ele libere os outdoors só na frente do templo. Assim, pelo menos, dá para cobrir aquela monstruosidade. Do mesmo jeito que faziam antigamente com as favelas.


Mas as loiras, que são pastoras naquele templo, não são fáceis de serem vencidas. Elas têm uma ligação forte com uns santos. Toda vez que são entrevistadas, dizem que um tal santo sempre ajudou e que a mãe e a avó já eram devotas desse santo ou daquela santa, sei lá. Deve ser um santo que gostava de templo grego.


Elas, além de muito devotas, acreditam no poder das grifes. Nunca se vê uma delas sem uma marca gritando no peito, na bolsa ou nos óculos (ah, sim, todas usam uns óculos enormes, que fazem parte do uniforme). Elas também acreditam que só as loiras alisadas são felizes. Então, fica difícil explicar para elas que essa história de coluna grega é cafona e sem sentido numa cidade como a nossa.


Até aí, eu entendo. As clientes delas devem morar em prédios neoclássicos e são muito endinheiradas. Portanto contruíram um templo para loiras ricas que gostam de colunas gregas.


Mas outra coisa é o presidente do museu ter desenhado aquelas colunas. Ai, meu Deus do céu! Como é possível isso ter partido da mesma pessoa que dirige (mal) o museu? Pensando bem... É bem possível, já que o MASP deixou de ser um museu respeitado para ser um salão de eventos.


Outro dia, tenho que confessar, fui a um evento lá. Meu amigo Celso tentou me convencer a jogar cheesecake na cara do arquiteto, mas eu não tive coragem. Quando ele veio sorridente na minha direção, tive de me esconder para não vomitar.


Não deveria ter ido, mas também nunca mais pisarei naquele museu enquanto o devoto das loiras estiver na presidência.


A boa notícia é que o domínio do arquiteto sobre o museu está em perigo e ele poderá ser substituído. Só que o forte candidato à sucessão é um publicitário que loteou a capital baiana para seus clientes endinheirados e é casado com uma das loiras do templo.


Então, parece que vai continuar tudo na mesma... Deve ter sido por isso que o Picasso fugiu e se escondeu na zona leste.


Sunday, April 06, 2008

Santa Chuva!


É interessante como às vezes esquecemos de nossos ideias, de nossa identidade, de nossa missão.

Ok. É ridículo falar assim, mas parece que eu perdi pelas esquinas da memória os problemas que esse país/mundo enfrenta.

Me tranquei dentro do meu mundo universitário e pronto!

A minha vida nos últimos tempos está direcionada para conseguir concluir meus trinta créditos previstos para este semestre e trabalhar no Instituto de Estudos Brasileiros dentro da USP.

Sei que é digna toda essa história, sei que é importante para minha formação, acredito também que aprendo demais no IEB e na Letras, enfim, com todos: professores, amigos, familiares.


Mas percebi hoje que não é só isso que pode mover minha vida.


Ano passado ainda podia dizer que lembrava das mazelas do país pois trabalhava numa ONG que adentrava as periferias da cidade, fazia me sentir útil sabe? Ver aquilo tudo e estar ali, junto, trabalhando, produzindo. E não é só discurso de "lembrar dos problemas dos pobres", é muito mais que isso, é aquela história de me fazer mal, corroído, cansado, sem esperança.

Nesse meio tempo, disse para mim mesmo, que não mais me sentiria mal, saberia o que acontecia, tentaria ajudar, mudar, tranformar, mas não me machucaria.


O que eu fiz?

Nada.


Nessa idéia de não me machucar, esqueci que ainda os mesmo problemas estavam ali fora ao alcance da mão e que quase ninguém fazia nada. Eu havia saído de campo, desistido.


Aí pensei: Ah mas a esperança ainda 'taí'!

E eu mesmo respondi hoje: Tá é o caralho!

Esse tempo todo estava me enganando achando que tudo ia mudar num estalar de dedos, que os políticos se conscientizaram e tudo ia melhorar.


balela!


Eis que hoje, resolvi sem mais nem menos, ir ao cinema a tarde. Fui sozinho mesmo, às vezes acontece. Fui assistir: "Maré: nossa história de amor". Trata-se de uma livre interpretação de Romeu e Julieta. Tirando umas 3 ou 4 cenas o filme é bem destruído com péssimos erros de edição e direção, mas o importante na discussão não são essas questões e sim o que o final do filme causou em mim.

Tudo bem, que o filme é romantizado, questões abordadas de polícia, traficante e gente como a gente querendo sobreviver, porém como um clic metálico, minha mente saiu daquele cinema e me fez lembrar em tudo que eu pensava antes desta estagnação já mencionada anteriormente. E saí do cinema mal e deprimido com vontade de sentar na guia da Consolação (a Rua aqui de SP) e chorar. Fazer com que as lágrimas se juntassem com as da chuva que estava caindo na cidade no momento.


Como pude esquecer daquilo tudo?


É esse o papel do cinema?


Então qual o meu papel?


O final do filme é devastador, é intenso, é do tipo que suspende a platéia e a faz ficar estática até o fim quase sem respirar.


Por isso, o considero um filme regular, mas que fez abrir portas antes trancadas por mim e que agora mais do que nunca estão escancaradas. Escancaradas para o Brasil, que pode cuspir e brincar com minha cara.


Mas a questão é essa...

Voltei.