É complicado quando não temos o que expressar, o que pensar e mais ainda o que sentir. Quando não temos para onde ir, inclusive em dias chuvosos que devemos sair de casa e nos encontrar, porém queriamos passar o turno inteiro deitado morrendo mais um pouco. Mas a cidade chama, a sociedade clama por mais gente transitando de um lado para o outro. Enquanto alguns levam torrenciais gotas no rosto, outros em sua depressiva viagem de carro pela avenida olham para o nada, para a lua, para as nuvens em suas paragens. A única cor em sua retina focal é o vermelho do semáforo que insiste em estar ali e ir e vir cada vez mais ligeiro.
De repente o barulho...
Baldes de cor azul invadindo a avenida. Como uma onda de tinta azulada percorrendo as vias asfaltadas e metropolitanas de nossas artérias mecânicas. Azul Almodóvar. O céu antes escuro, agora fica claro, e tudo aquilo que era depressivo e rotineiro passa por um sorriso branco e sincero. O andar dos pedestres é de procura em meio ao lamaçal unicolor.
Ninguém entende o motivo, mas todos começam a se comunicar por outra língua. Mas por irônia de percurso todos se entendem.
E por se entenderem voltamos ao eterno ciclo deprimente de nossas vidas. Os pedestres andam sem nada mais procurar, apenas preocupados com seu caminhar e seu futuro. Os motoristas voltam os olhos para o céu implorando a chegada ao destino e vislumbram o semáforo vermelho.
A linguagem em rotina também é destruídora e devastadora como a onda azul que acometeu a avenida por alguns instantes.
Sunday, May 18, 2008
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1 comment:
Bom saber que minhas baboseiras (de babosa) servem para alguma coisa.
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