
É interessante como às vezes esquecemos de nossos ideias, de nossa identidade, de nossa missão.
Ok. É ridículo falar assim, mas parece que eu perdi pelas esquinas da memória os problemas que esse país/mundo enfrenta.
Me tranquei dentro do meu mundo universitário e pronto!
A minha vida nos últimos tempos está direcionada para conseguir concluir meus trinta créditos previstos para este semestre e trabalhar no Instituto de Estudos Brasileiros dentro da USP.
Sei que é digna toda essa história, sei que é importante para minha formação, acredito também que aprendo demais no IEB e na Letras, enfim, com todos: professores, amigos, familiares.
Mas percebi hoje que não é só isso que pode mover minha vida.
Ano passado ainda podia dizer que lembrava das mazelas do país pois trabalhava numa ONG que adentrava as periferias da cidade, fazia me sentir útil sabe? Ver aquilo tudo e estar ali, junto, trabalhando, produzindo. E não é só discurso de "lembrar dos problemas dos pobres", é muito mais que isso, é aquela história de me fazer mal, corroído, cansado, sem esperança.
Nesse meio tempo, disse para mim mesmo, que não mais me sentiria mal, saberia o que acontecia, tentaria ajudar, mudar, tranformar, mas não me machucaria.
O que eu fiz?
Nada.
Nessa idéia de não me machucar, esqueci que ainda os mesmo problemas estavam ali fora ao alcance da mão e que quase ninguém fazia nada. Eu havia saído de campo, desistido.
Aí pensei: Ah mas a esperança ainda 'taí'!
E eu mesmo respondi hoje: Tá é o caralho!
Esse tempo todo estava me enganando achando que tudo ia mudar num estalar de dedos, que os políticos se conscientizaram e tudo ia melhorar.
balela!
Eis que hoje, resolvi sem mais nem menos, ir ao cinema a tarde. Fui sozinho mesmo, às vezes acontece. Fui assistir: "Maré: nossa história de amor". Trata-se de uma livre interpretação de Romeu e Julieta. Tirando umas 3 ou 4 cenas o filme é bem destruído com péssimos erros de edição e direção, mas o importante na discussão não são essas questões e sim o que o final do filme causou em mim.
Tudo bem, que o filme é romantizado, questões abordadas de polícia, traficante e gente como a gente querendo sobreviver, porém como um clic metálico, minha mente saiu daquele cinema e me fez lembrar em tudo que eu pensava antes desta estagnação já mencionada anteriormente. E saí do cinema mal e deprimido com vontade de sentar na guia da Consolação (a Rua aqui de SP) e chorar. Fazer com que as lágrimas se juntassem com as da chuva que estava caindo na cidade no momento.
Como pude esquecer daquilo tudo?
É esse o papel do cinema?
Então qual o meu papel?
O final do filme é devastador, é intenso, é do tipo que suspende a platéia e a faz ficar estática até o fim quase sem respirar.
Por isso, o considero um filme regular, mas que fez abrir portas antes trancadas por mim e que agora mais do que nunca estão escancaradas. Escancaradas para o Brasil, que pode cuspir e brincar com minha cara.
Mas a questão é essa...
Voltei.
1 comment:
Bem vindo.
Post a Comment